segunda-feira, 26 de março de 2007

Notas sobre o debate económico-político contemporâneo

Para ver se saimos do que por vezes ameaçam ser querelas pseudo-ideológicas espúreas e para ir directo ao assunto: qual é o erro de análise de São José de Almeida? (desculpem agora este périplo histórico e teórico longo, mas ele é indispensável) É que a sua análise macroeconómica está ainda dependente do paradigma que vigorou na Europa e nos EUA durante os "30 anos gloriosos" (1945-1975) e que cuja eficácia está, enquanto paradigma, esgotada (repito: enquanto paradigma; não significa que algumas medidas aplicadas cirurgicamente aqui e ali não possam ser as mais indicadas). Este era um paradima de cariz keynesiano, e que fazia depender o crescimento económico do crescimento e gestão da procura. O que era preciso era que as pessoas tivessem dinheiro nos bolsos para gastar, para evitar crises como a de 1929, fruto de um desiquilíbrio que se revelou, na altura fatal: a economia produzia em excesso e não havia, do lado da procura, capacidade dos trabalhadores absorverem os stocks produzidos. Sob a inspiração da teoria de Keynes, desenhada no seu livro publicado 7 anos depois (1936), os governos dos países ocidentais passaram a ter muito mais atenção ao poder de compra interno da maioria da população - melhor assegurado pelo pleno emprego - para ver se não se repetia a catástrofe que, anos antes, convém não esquecer, havia colocado os níveis de legitimidade do capitalismo no vermelho, vis-à-vis a ameaça - e as promessas - ideológica(s) do nazismo, fascismo e comunismo. E, afinal, nada melhor do que a II Guerra Mundial para experimentar o keynesianmo e garantir o pleno emprego da população. Finda a guerra, e perante os bons resultados da experiência, o paradigma solificou-se e foi seguido pela maioria dos governos nos diferentes países, à esquerda e à direita. Nixon, insuspeito de esquerdismo, no início da década de 70 dizia que "agora somos todos keynesianos".
Ora, o que funcionou como solução num dado contexto pode passar a funcionar como problema noutro. O keynesianismo funciona bem como tecnologia económica de redistribuição do emprego e dos rendimentos enquanto o modelo de desenvolvimento industrial é, por assim dizer, taken for granted. Durante algumas décadas foi assim: as taxas de crescimento eram da ordem dos 4, 5, e 6%, o que permitia criar riqueza, redistribui-la e melhorar as condições de vida de todos. Com o tempo, os economistas neo-liberais (em particular Milton Friedman) foram teorizando o trade-off que havia de explodir na prática entre a situação de pleno emprego e subida da inflação: chegaria um dia em que a seria impossível manter o equilíbrio entre o primeiro e a segunda; a segunda haveria de disparar, ajudada pela subida dos salários acima da produtividade em certos contextos políticos, e isto geraria a estagflação, que é basicamente uma situação em que o desemprego sobe e fica a níveis altos sem que inflação desça, como o trade-off inicial previa. A estagflação é o cancro das economias europeias avançadas na segunda metade dos anos 70 e foi a incapacidade dos governos de esquerda saírem dela que levou à mudança de paradigma económico - e, em alguns países onde a margem de manobra ideológica era alta, a emergência de uma frente política e económica chamada “neo-liberalismo”. O neo-liberalismo 'congela' a gestão da procura e age sobre a estrutura da oferta, abanando os monopólios existentes e lançando uma onda de empreendedorismo privado assente na liberalização dos mercados de telecomunicações, alta tecnologia, etc.

Ora, o problema reside em pensar que a mudança de uma política económica baseada na gestão da procura para uma baseada na estimulação da oferta significa um abandono de uma política de esquerda para uma política de direita, de cariz neo-liberal - e por isso parte da esquerda tem hoje a tentação de regressar às velhas soluções keynesianas porque pensa que o que vem a seguir, cronologicamente, e que enquadra hoje as políticas económicas nacionais actuais, só pode ser neo-liberal. Mas isto é FALSO.

Atenção: concedo que há um pequeno grão de verdade no descontentamento da esquerda: é que não basta continuar a aumentar o salário mínimo, o subsídio de desemprego, a criar emprego público, a aumentar os impostos, etc. etc. Não é possível continuar este tipo de medidas indefinidamente, não porque há mudança na ideologia, mas porque o sistema económico não aguenta, e continuá-las de forma cega é o caminho para a ruína. Ou seja, é preciso deixar de olhar apenas a elevação dos mínimos sociais per si para perceber como maximizar o output do mecanismo económico para alimentar essa elevação, sim, mas agora sustentada no crescimento económico e não apenas no aumento dos salários e subsídios por decreto político.
Por alguma razão se fala hoje tanto de inovação, seja de produtos, de processos ou de organizações: é porque é a inovação (e o investimento nela) que permite o ganho contínuo de produtividade e de qualidade na produção de bens novos e capazes de conquistar novos mercados.

Dito isto, retomo o que disse em cima: recentrar a política económica da procura para a oferta não tem nada a ver com passar, do ponto de vista da ideologia e prática política, da esquerda para a direita - pela simples razão que há supply-side strategies diferentes à esquerda e à direita. Aqui, os partidos/governos conservadores/(neo-)liberais apostam por tradição na redução dos impostos e no incentivo do investimento privado, mesmo que isso tenha como consequência o corte nas transferências sociais e um aumento da desigualdades; os partidos/governos social-democrata/socialistas/trabalhistas, por sua vez, atentos às consequências redistributivas deste tipo de medidas, investem mais na formação de capital fixo e capital humano de forma a elevar a taxa de produtividade do capital e do trabalho (atenção: não se trata de aumentar os salários independentemente da produtividade, o que gera inflação; trata-se de agir sobre os factores que permitem um aumento real da produtividade e, por consequência, dos salários). Isto significa que o que alimenta um Estado social generoso e sustentável não são políticas-ideologicamente-correctas-mas- economicamente-duvidosas-quando-não-desastrosas, mas medidas económicas virtuosas que sejam capazes de conferir, a prazo, ao país uma competitividade estratégica na economia internacional. Se esta competitividade estratégica estiver assegurada, os investidores privados vão continuar a investir, mesmo perante a existência de impostos elevados (logicamente, se a produtividade for baixa, nenhum investidor aceita impostos elevados: emigra logo para outro país: dito en passant, é por isso que não se podem subir os impostos em Portugal sobre as empresas).

Resumindo: a esquerda e a direita no governo procuram, à sua maneira, aumentar o nível de competitividade estratégica do país: a primeira, mais procupada com as questões redistributivas, usando o Estado e o investimento de forma estratégica; a segunda, menos preocupada com as questões redistributivas, reduzindo o papel do Estado e entregando ao investimento ao sector privado e aos mercados a pilotagem do processo.

Comparado com o modelo anterior, o trade-off entre emprego e inflação foi substituído pelo trade-off entre emprego e desigualdade. Ou seja, se no passado o pleno emprego era uma condição para uma redistribuição efectiva, hoje almejar o pleno emprego pode significar, muitas vezes, a cedência a um aumento das desigualdades. Porquê? Porque o trabalho desqualificado, nesta fase da globalização da economia, perdeu o valor que tinha há umas décadas atrás e a pressão sobre os salários na base da estrutura profissional é elevada. Ao mesmo tempo, como o subsídio de desemprego na maioria dos países não desceu de valor ao longo do tempo, isto significa que, do ponto de vista racional-económico, pode haver incentivos perversos a que as pessoas fiquem fora do mercado de trabalho a receber o social wage do que no mercado de trabalho. A isto acresce o salário mínimo, que pode também ser muito elevado para aquilo que é valor de mercado do trabalhador/competência em causa; se isso acontecer, isso pode simplesmente fazer com que o trabalhador seja priced out of the market, ou seja, fique no desemprego. Isto não explica totalmente o alto desemprego de algumas economias europeias; o mercado de trabalho excessivamente regulado e o menor investimento público (que recuou por motivos macroeconómicos óbvios, em particular o combate ao défice público e às pressões inflacionistas) são outras variáveis muito importantes. Mas a verdade é que o que acontece nas diferentes economias ocidentais é uma espécie de escolha estratégica entre “menor-desemprego-a-custo do-aumento-das desigualdades” e “maior-desemprego-mas-garantindo-uma-estabilidade-nos-níveis-de-desigualdade” (há algumas saídas possíveis para este dilema. Mas sobre isso eu escrevo para a próxima). Pode-se dizer que Portugal, dado que tem uma estrutura económica diferente dos restantes países europeus, até aqui, vivia num dos equilíbrios possíveis deste trade-off: a taxa de emprego era/é muito alta em relação à Europa; os níveis de desemprego eram baixos por comparação com a média europeia até há 3/4 anos; e os níveis de desigualdade económica são dos mais elevados da UE. Ou seja, ter um emprego pode não ser suficiente para retirar o trabalhador da pobreza (sobretudo tendo em conta que as transferências sociais funcionam mal no combate à pobreza entre nós, ao contrário dos Estados sociais mais redistributivos) – tal como tende a acontecer em alguns países onde a rede social é mais fraca, em particular os anglo-saxónicos.

Voltando ao início: porque é que a proposta de São José de Almeida é hoje inviável, para não dizer irresponsável? Porque a capacidade que os governos têm hoje de combater o desemprego de forma musculada é mais limitada que no passado, parcialmente porque os mercados estão abertos e a capacidade de exit das empresas para mercados mais lucrativos é maior: aumentar o “poder de compra” e “alimentar o mercado interno” significa, simplesmente, aumentar os salários, e com isso, não raras vezes, correr com o capital daqui para fora. E sem capital, escuso dizer, aumenta o desemprego. Isto já para não falar na inflação e do aumento das importações, porque se as pessoas têm dinheiro nos bolsos não há qualquer garantia que o vão canalizar para poupanças ou que o vão gastar na aquisição de produtos portugueses. E lá se vai a balança de pagamentos. Ao mesmo tempo, colocar em causa a recuperação efectuada nas contas públicas é irresponsável, dado que um défice público grande como o nosso elimina qualquer capacidade de acção do governo, por exemplo, na absorção de desemprego temporário; este é mais um motivo para o governo ter as contas em dia para intervir pontual mas estrategicamente nesta área. Por fim, torna quase impossível qualquer medida de redução de impostos, que poderia criar incentivo ao investimento privado, estrangulado que está em muitos nódulos da rede económica.
Resumindo: a proposta da São José Almeida é típica do que já chamei em várias ocasiões política do Humty-Dumpty, que faz críticas à esquerda ou à direita, e avança propostas sem ter em conta que elas são mutuamente exclusivas. É que não podemos clamar pelo aumento do poder de compra, pela descida do desemprego, pela continuada descida do défice, pelo incentivo ao investimento privado, à baixa de impostos aos trabalhadores e ao aumento dos impostos das empresas (…) como se algumas destas medidas não se anulassem directamente umas às outras. Todas juntas, isto não é sequer um paradigma económico (embora algumas delas estejam ancoradas no paradigma Keynesiano) – no seu conjunto, é uma salada russa de propostas que se eliminam mutuamente. Aqui reside uma resposta possível a esta pergunta do Renato:

Porque é que a maior parte das propostas económicas que vêm da esquerda são encaradas como suicidárias, e as da direita nem por isso?

Bom, talvez porque as da direita tendem a ter uma coerência ideológica e técnica de fundo que falta à esquerda, que padece infelizmente de excessivo oportunismo (o oportunismo é num sentido objectivo, não subjectivo, ou seja: é a proposta que o é sem que os proponentes pretendam sê-lo deliberadamente). Podemos discordar – por motivos legítimos, ideológicos e políticos - das primeiras sem achar que elas são impossíveis; mas impossibilidade é a imagem de marca de muitas propostas à esquerda. Ou dito de outra forma: a direita tem excelentes economistas, discordemos ou não das suas inclinações ideológicas, e uma política económica senão desenhada, pelo menos imaginável; já à esquerda do PS...

Estaremos entregues com isto ao "pensamento único neo-liberal"? Não. Para ir ao fundo do problema:
1) os salários, mais do que nunca, aumentam-se através da subifa da produtividade do capital fixo e humano.
2) a produtividade aumenta-se ou via o investimento e a acção do sector público, ou via a redução da intervenção deste por comparação ao protagonismo do sector privado.
3) a produtividade do capital humano não se eleva de um dia para o outro. Depende em boa medida da estrutura das qualificações da população. Já aqui escrevi de como este é um problema central do país – para não ir ao ponto de dizer que é o problema.
4) O Governo está a intervir decisivamente neste plano, e segundo uma estratégia tipicamente de supply-side de esquerda, que é apostar seja na formação de recursos humanos avançados, seja na formação vocacional de jovens e adultos ao nível do ensino secundário, mobilizando para isso os recursos da rede pública – e não os mercados nem deixando tudo entregue as decisões das empresas (que tendem a dar formação aos que já são mais qualificados e a esquecer os menos qualificados, aumentando as desigualdades intra- e inter-sectoriais). Atenção: direita não estaria preocupada com isto; a teoria do capital humano na versão original de Gary Becker diz que as pessoas, como seres racionais que são, tomarão a decisão de investir no upgrade das suas competências, optimizando as suas oportunidades profissionais. Quem não o faz, azar. Bom, isto até pode ser verdade para os sectores mais profissionalizados das classes altas e médias, mas é um wishful thinking ao nível do resto da população. É por isso que os países anglo-saxónicos têm uma estrutura de qualificações – e, logo, salarial - tão dual: universidades do melhor que há para formar as elites e escolas básicas e secundárias sub-financiadas e entregues a si próprias nos quais os filhos das classes baixas não passam muito tempo, antes de entrarem imediatamente no mercado de trabalho desqualificado, em tarefas mal pagas.
5) É por isso que a mudança vai demorar tempo. Dado que a solução não passa por aumentar salários de um dia para o outro via decreto político (embora haja um salutar acordo para aumentar o salário mínimo progressivamente até 2009 assinado com os parceiros sociais há um par de meses), temos que saber esperar pelo aumento da produtividade; e como esta depende em boa medida do aumento das qualificações, não podemos esperar fazer num par de anos o que não foi feito em vinte. A questão certa e séria, aqui, é saber se as coisas estão a correr na direcção certa.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Literacia científica (subsídio para)

O título do Público de hoje é cómico, a grande descoberta de hoje tem milénios na filosofia ocidental. Mas passe o provincianismo de o «nosso» cientista ter descoberto o já sabido, a notícia é um desastre (apesar de assinada por uma jornalista que já deu provas de saber o que faz). Não li o artigo de Damásio, mas se diz realmente «O neurologista António Damásio diz que sem as emoções não conseguimos fazer as escolhas morais correctas» (o que se lê no destaque do artigo), não chega a ser um artigo científico, e seria isso a notícia. Tal como está a notícia, vem na linha de várias, de que retenho uma outra sobre o número de doutorados em Portugal, em que o título de primeira página era enganador quanto ao conteúdo da notícia (tratava-se do número de inscritos em doutoramento a subir, não o de doutorados), a qual, por seu turno, apenas reproduzia dados do site da FCT, como um jornal gratuito, não de referência (aliás, até a notícia era mais pequena que a foto a ilustrá-la...). É por o jornalismo científico estar a cair assim, e os critérios de edição jornalistica serem estes, que não há quem pergunte ao ministro ou ao Primeiro Ministro onde andam os 1000 doutorados a contratar em 2007...
Don't get me wrong: Damásio é um cientista sério, o seu trabalho de divulgação é meritório, e até a gestão mediática que faz dele é inteligente (há cerca de um ano, a propósito de Freud, bem o Público tentou que ele desse a psicanálise por falsa, coisa que ele muito bem não fez, antes contradisse...). Continuo portanto a crer que Damásio terá feito algo mais inteligente que semelhante descoberta; mas suspeito que um destes dias algum jornal titule que se descobriu que a moral tem algo a ver com a justiça...
CL

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Revistas sobre o 3.º sector

Desta feita, cabe listar um conjunto de revistas dedicadas ao 3.º sector e de livre acesso.
>Consorcio de Revistas de Economía Social y Cooperativas: c/14 títulos, inc. CIRIC-Espãna. REPSC.
>Cooperativismo e Economia Social, Espanha.
>Revue des études coopératives, mutualistes et associatives, RECMA, f.1921 (como Revue des études coopératives), ed. Association RECMA; nb: c/pesquisa temática (econ. soc., assocs., etc.).

sábado, 27 de janeiro de 2007

Textos integrais sobre o Holocausto e a repressão nazi

Porque hoje é o Dia Internacional das Vítimas do Holocausto, aproveita-se para disponibilizar aqui os endereços de 2 sites com livre acesso a um conjunto de textos sobre o Holocausto e a repressão: o Holocaust History Project e o Mémorial de la Shoah, este com uma selecção de 21 artigos saídos na sua Revue d'Histoire de la Shoah (incluindo um artigo de Rui Afonso sobre o Wallenberg português: Aristides de Sousa Mendes). Uma bibliografia temática encontra-se aqui.
No site do Mémorial de la Shoah pode ainda pesquisar-se o Centre de Documentation Juive Contemporaine (+1 milhão de documentos), a L'encyclopédie multimédia de la Shoah e visionar a sessão de lançamento do n.º 184 da Revue d'Histoire de la Shoah, sobre «La Shoah dans la littérature israélienne» (c.180 min.).
Para mais pormenores sobre a iniciativa instituída pela ONU em 2005 vd. aqui.
Nb: imagem do campo de concentração de Auschwitz (extraída daqui).

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Livre acesso a 51 revistas de ciências sociais e humanas

Este levantamento de 51 revistas académicas com livre acesso ao texto integral dos artigos (e a índices e sumários) visa contribuir para uma listagem cumulativa dos conteúdos gratuitos existentes na Internet, cuja divulgação pelas bibliotecas públicas será útil e proveitosa para os estudiosos. Trata-se dum trabalho pessoal iniciado em 2005 e cujas hiperligações estão actualizadas.
A disciplina mais contemplada é a História, por ter verificado estar este saber muito subrepresentado nas listas da B-On, de que fiz parte enquanto membro de 2 grupos de trabalho (em representação da Univ. de Lisboa) até ter constatado que nenhuma política de equilíbrio de conteúdos (quanto a disciplinas, áreas, comunidades, línguas, qualidade, pertinência, etc.) iria ser uma prioridade para os seus responsáveis.
As revistas com livre acesso disponíveis na plataforma luso-brasileira Scielo estão aqui ausentes, para evitar duplicações. Já não foi possível evitar duplicações com os directórios Revues.org (CNRS, c/80 periódicos em ciências sociais e humanas) e DOAJ- Directory of Open Acess Journals, este o mais completo da Internet (1800 títulos), embora não exaustivo e excluindo revistas que só oferecem acesso parcial.
Para futuros aditamentos, outras revistas podem ser pesquisadas e seleccionadas no pacote editorial da Univ. Complutense de Madrid, da qual retirei várias revistas excepto para filologia e áreas mais experimentais), na base da Univ. de Valencia (c/lista de endereços de 1271 revistas internacionais de História das épocas moderna e contemporânea), na LookSmart’s FindArticles (c/revistas de c.s.h. nas secções «News & Society» e «References & Education), no directório The History Journals Guide (de Stefen Blaschke) e na base Gallica (projecto da Bibliothèque Nationale de France).
Para recursos diversos para a pesquisa histórica vd. A guide to Internet resources for historical studies (plataforma da revista italiana Storia della Storiografia, por Guido Abbattista, 1999). Para pesquisa genérica em c.s.h vd. Serials in cyberspace (de Birdie MacLanne, Univ. Vermont). Para uma boa lista de revistas históricas medievalistas vd. o Repertorio do consórcio univ.º italiano Reti Medievali (por Andrea Barlucchi, da Univ. de Florença). Então, boas pesquisas e melhores leituras!
Legenda: abreviaturas iniciais para idioma da revista (entre parêntesis figura o país de edição, por defeito remete para o país de origem do idioma), incluindo Espanhol (E), Francês (F), Inglês (In), Italiano (I) e Português (P); f. para fundação; Hst para História.

ANTROPOLOGIA
F>L’Homme. Revue Française d’Anthropologie (f.1961, ed. École des Hautes Études en Sciences Sociales [EHESS], ISSN 0439-4216, c/índices, resumos dos n.ºs 153-180 [2000-2006], recensões críticas e alguns artigos acessíveis).
E>
Revista de Antropología Social (f.1991, ed. Servicio de Publicaciones de la Universidad Complutense de Madrid [SPUCM], ISSN 1131-558x, c/livre acesso até ao vol. 14, de 2005).
E>
Revista Española de Antropología Americana (f.1952, ed. SPUCM, ISSN 0556-6533, interdisciplinar, c/livre acesso até ao vol. 35, de 2005).

BELAS-ARTES
E>Arte, Individuo y Sociedad (f.1988, ed. SPUCM, ISSN 1131-5598/ 1695-9477, interdisciplinar c/Hst e Educação, c/livre acesso até ao vol. 18, de 2006).

BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
E>Revista General de Información y Documentación (f.1991, ed. SPUCM, ISSN 1132-1873, c/livre acesso até ao n.º 1 do vol. 15, de 2005).

CIÊNCIA POLÍTICA
E>Foro Interno (f.2001, ed. SPUCM, ISSN 1578-4576, interdisciplinar c/Hst e Adm.º, c/livre acesso até ao vol. 6, de 2006).
E>
Politica y Sociedad (f.1988, ed. SPUCM, ISSN 1130-8001, interdisciplinar c/Hst e Sociologia, etc., c/livre acesso até ao n.º 1 do vol. 42, de 2005).

CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
E>Revista Complutense de Educación (f.1990, ed. SPUCM, ISSN 1130-2496, c/livre acesso até ao n.º 2 do vol. 15, de 2004).

CIÊNCIAS DA INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO
E>CIC Cuadernos de Información y Comunicación (f.1995, ed. SPUCM, ISSN 1135-7991, c/livre acesso até ao n.º 10, de 2005).
E>
Documentación de las Ciencias de la Información (f.1976, ed. SPUCM, ISSN 0210-4210, c/livre acesso até ao v. 28, de 2005).
E>
Estudios sobre el Mensaje Periodístico (f.1994, ed. SPUCM, ISSN 1134-1629, c/livre acesso até ao vol. 12, de 2006).
E>
Historia y Comunicación Social (f.1996, ed. SPUCM, ISSN 1137-0734, interdisciplinar c/Hst, c/livre acesso até ao n.º 11, de 2006).

CIÊNCIAS DA RELIGIÃO
P>Revista Lusófona de Ciência das Religiões (f.2002, Eds. Univs. Lusófona/ Univ. Lusófona de Humanidades e Tecnologias, c/artigos disponíveis até ao n.º 7/8, de 2005).

DIREITO
E>Cuadernos de Historia del Derecho (f.1994, ed. SPUCM, ISSN 1133-7613, interdisciplinar c/Hst, c/livre acesso até aos n.ºs 11 e extra de 2004).

ECONOMIA
E>Cuadernos del Este/ Papeles del Este (f.199-, ed. SPUCM, ISSN 1576-6500, c/livre acesso aos vols. 9 a 12: 2004 a 2006).

FILOSOFIA
E>Anales del Seminario de Historia de la Filosofia (f.1980, ed. SPUCM, ISSN 0211-2337, c/livre acesso até ao vol. 22, de 2005).
E>
LOGOS. Anales del Seminario de Metafísica (f.1966, ed. SPUCM, ISSN 1575-6866, c/livre acesso até ao vol. 38, de 2005).
E>
Revista de Filosofia (f.1987, ed. SPUCM, ISSN 0034-8244, c/livre acesso até ao n.º 1 do vol. 30, de 2005).

GEOGRAFIA
E>Annales de Geografía de la Universidad Complutense (f.1981, ed. SPUCM, ISSN 0211-9803, c/livre acesso até ao vol. 25, de 2005).

HISTÓRIA
In(Austrália)>Access: History (f.1997, rev. electrónica c/livre acesso até ao vol. 3, de 2001).
F>
Actes de l'histoire de l'immigration (f.1988, Équipe Réseaux, Savoirs & Territoires [Paris], ISSN 1630-7356, c/índices até 2006 e livre acesso a texto integral p/1998-2004).
F>
Annales. Histoire, Sciences Sociales (f.1929, ed. EHESS, ISSN 0003-441x, c/índices p/1989-2003; livre acesso ao texto integral da predecessora Annales d’Histoire Économique et Sociale p/1929-1935; n.ºs especiais e dossiers aqui).
E>
Annales de Historia del Arte (f.1989, ed. SPUCMadrid, ISSN 0214-6452, rev.ª de História de Arte c/livre acesso até ao vol. 15, de 2005).
In(EUA)>
Business History Review (f.1954, ed. Harvard Business School, c/índices, resumos e textos das recensões críticas até ao n.º 3 do vol. 80, de 2006).
F>
Cahiers de la Méditerranée. Histoire et sciences sociales (f.1968, ed. do Centre de la Méditerranée Moderne et Contemporaine da Univ. de Nice-Sophia Antipolis, e-ISSN 1773-0201, ISSN papel 0244-6677, c/livre acesso aos vols. 63 a 71, este de 2006).
F>
Cahiers d’Études Africaines (f.1960, ed. EHESS, c/índices e resumos desde 1960, recensões críticas e alguns artigos acessíveis até 2006).
F>
Cahiers du Monde Russe (f.1959, ed. EHESS, ISSN 1252-6576, c/índices e resumos desde 1959, recensões críticas e alguns artigos acessíveis até 2006).
In(Eire)>
Chronicon. An Electronic History Journal (f.1997, ed. University College Cork, rev.ª electrónica c/livre acesso p/texto integral até ao vol 3, de 1999).
F>
CLIO. Histoire, Femmes et Sociétés (f.1995, ed. Univ. Toulouse II, c/índices, resumos, muitas recensões críticas e alguns textos integrais de livre acesso até vol. 23, de 2006).
E>
Complutum (f.1991, ed. SPUCM, ISSN 1131-6993, rev.ª de Arqueologia e Pré-História c/livre acesso até ao vol. 16, de 2005).
I/In>
Cromohs. Ciber Review of Modern Historiography (f.1996, ed. Firenze Univ. Press, c/acesso livre até ao n.º 11, de 2006).
E>
Cuadernos de Historia Contemporánea (f.1980, ed. SPUCM, ISSN 0214-400x, c/livre acesso até ao vol. 27, de 2005).
E>
Cuadernos de Historia Moderna (f.1980, ed. SPUCM, ISSN 0214-4018, c/livre acesso até ao vol. 30, de 2005).
In(EUA)>
e-Journal of Portuguese History (f.2003, ed. Brown Univ. & Univ. Porto, rev.ª electrónica c/livre acesso até ao vol. 3, de 2005).
E>En la España Medieval (f.1981, ed. SPUCM, ISSN 0214-3038, c/livre acesso até ao vol. 28, de 2005
).
In(EUA)>
Essays in History (f.196-, ed. Univ. of Virginia, ISSN 0071-1411, sobretudo p/História dos EUA, c/livre acesso p/texto integral de 1990 a 2000).
F>
Études Rurales (f.1961, ed. EHESS, ISSN 0014-2182, c/índices, resumos, recensões críticas e alguns artigos acessíveis até 2005).
In(EUA)>
Film History. An International Journal (f.198-, ed. Indiana Univ. Press, E-ISSN 1553-3905, c/livre acesso p/n.º 1 do vol. 17, de 2005).
E>
Gérion (f.1983, ed. SPUCM, ISSN 0213-0181, rev.ª de História da Antiguidade, c/livre acesso até ao vol. 23, de 2005).
In>
German History (f.1982, ed. German History Society, c/índices e resumos até vol. 25, de 2007).
E>
Hispania Epigraphica (f.199-, ed. SPUCM, ISSN 1132-6875, rev.ª de Epigrafia e História da Antiguidade, c/livre acesso ao índice e texto do vol. 10, de 2000).
In>
International Journal of Historical Learning, Teaching and Research (f.2000, ISSN 1472-9466, c/livre acesso até ao vol. 6, de 2006).
P>
Medievalista (f.2005, ed. Inst.º de Estudos Medievais da FCSH-UNL; c/livre acesso até 2006).
In(RU)>
New Left Review (f.1960, ed. Verso, c/livre acesso de 2000 a 2006).
E>
Revista Complutense de Historia de América (f.1981, ed. SPUCM, ISSN 1132-8312, c/livre acesso até ao vol. 31, de 2005).
Pbr>
Revista de História Regional do Brasil (f.1996, ed. Univ. Estadual de Ponta Grossa, c/livre acesso até ao n.º 2 do vol. 10, de 2005).
E>
Revista de la Inquisición (f.1991, ed. SPUCM, ISSN 1131-5571, c/livre acesso até ao vol. 10, de 2001).
F>
Revue Européenne des Migrations Internationales [REMI] (f.1985, ed. MSHS- Univ. de Poitiers, c/sumários dos 22 vols. até 2006 e livre acesso p/vários n.ºs).
F>
Revue Historique (f.1876, ed. PUF, ISSN 0035-3264, a rev.ª +antiga em francês, c/livre acesso p/1876-1934; vd. tb. sumários desde 1987 aqui; c/632 n.ºs).
E>
Tiempos modernos. Revista electrónica de Historia Moderna (rev.ª electrónica, f.2000, ed. Fundación Española de Historia Moderna, c/livre acesso ao texto integral até ao n.º 14, de 2006).

FILOLOGIA
*Vd. as 12 revistas sectoriais editadas pela Univ. Complutense de Madrid aqui.

SOCIOLOGIA
E>Cuadernos de Estudíos Empresariales (f.1991, ed. SPUCM, ISSN 1131-6985, interdisciplinar c/Hst, Economia e Direito, c/livre acesso até ao n.º 15, de 2005).
E>
Cuadernos de Trabajo Social (f.1987, ed. SPUCM, ISSN 0214-0314, interdisciplinar c/Hst e Psicologia Social, etc., c/livre acesso até ao n.º 17, de 2004).
E>
Cuadernos de Relaciones Laborales (f.1982, ed. SPUCM, ISSN 1131-8635, interdisciplinar c/Hst, Direito e Psicologia Social, etc., c/livre acesso até ao n.º 1 do vol. 23, de 2005).

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Livros portugueses de ciências sociais e humanas (1986-1996)

Em complemento do post anterior, existe um catálogo de Livros portugueses [de] ciências sociais e humanas 1986-1996, coordenado pelos académicos José Luís Cardoso (UTL), João Ferrão (UL) e Rui Santos (UNL), e em cuja equipa executiva tive o prazer de participar. Contou com o patrocínio do Ministério da Ciência e Tecnologia e foi editado em 1997 para a Sociedade Portugal-Frankfurt 97. É possível fazer pesquisa no link que deixo acima, criado pelo OCES.
A recolha inclui 1700 títulos, seleccionados na PORBASE e nos catálogos de editores, só de pessoas singulares e excluindo teses académicas. Eis o fito dos autores: "O presente catálogo procura documentar as actividades de investigação e de produção editorial de autores portugueses, no domínio das ciências sociais e humanas, nos últimos anos. Trata-se de um registo, tão completo quanto possível, de livros portugueses publicados entre 1986 e 1996. Compreende cerca de mil e setecentas entradas distribuídas por onze domínios habitualmente classificados sob a designação genérica de ciências sociais e humanas".

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Teses em História Moderna e Contemporânea de Portugal (até 2003)

Acabei de descobrir esta bibliografia temática, organizada pela Brown University de acordo com informação fornecida por académicos portugueses. Trata-se duma lista de dissertações em História Moderna e Contemporânea de Portugal. Alguns dos títulos trazem, no final, a referência da edição comercial entre parêntesis. Saiu no n.º de Inverno de 2003 da revista e-Journal of Portuguese History. Uma actualização destas Masters Courses and Dissertations in Modern and Contemporary History at Portuguese Universities será muito bem-vinda!
A hiperligação que aqui fica é um peão contributo para tentar contrariar o mau tratamento e esquecimento a que, por cá, são injustamente votadas as teses policopiadas. As quais, por sua vez, precisavam dum mecanismo institucional mais eficiente, com a obrigatoriedade de entrega de cd-roms em PDF cifrado e, quando muito, 2-3 cópias impressas mas em encadernação institucional, como se faz nos EUA. Ou seja, seria a própria instituição a valorizar o que é feito intra-muros. E a versão definitiva das teses só deveria existir depois das provas defendidas, para se poder aproveitar as sugestões da arguição.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Para que serve isto?

Boa pergunta. Também nós não sabemos ao certo, mas esperamos descobrir isso nos próximos tempos. Inicialmente, pensámos neste espaço para acolher textos mais longos ou bibliografias temáticas, enquanto complemento ao blogue Peão, acabadinho de estrear. Mas está tudo em aberto, certo certo é os lados b serem hoje lugares de culto, daí tentarmos a nossa sorte.