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sábado, 27 de dezembro de 2008

Federico García Lorca digital

Quem quiser saber sobre a vida e obra poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca tem a partir de agora um vasto manancial de informação e documentação disponível na Internet.
A Residencia de Estudiantes lançou a semana passada a nova web corporativa específica (garcia-lorca.org), organizando o acesso a mais de 15 milhões de referências virtuais a Lorca. Trata-se dum espaço de "referência básico para a vida e obra de Lorca", nas palavras da sobrinha do poeta e presidente da Fundação García Lorca, Laura García Lorca. O projecto teve o apoio de especialistas como Christopher Maurer (Univ. de Boston) e Andrés Sorria (Univ. de Granada).
Foram ainda inaugurados uma Biblioteca del autor, através da Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, e o Archivo Federico García Lorca, no portal Edad de Plata, contendo 2500 documentos digitalizados alusivos à sua vida e obra (manuscritos, correspondência privada, desenhos, cartazes, programas, etc.). Para 2009, prevê-se a criação duma rede social em torno do poeta, e em 2010 abrirá o Centro García Lorca, em Granada, com teatro, sala de exposições, arquivo e biblioteca. Mais informações aqui. Ainda a propósito de Lorca, está patente em Lisboa uma mostra sobre a editora Ruedo Ibérico, no Instituto Cervantes de Lisboa, até 22 do próximo mês.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Portugal (?) então

Com a devida autorização do autor, nos próximos dias publico excertos de textos cuja versão integral se encontra na secção de crítica da revista Prelo, nº4 (INCM, 3ª série, Lisboa, Janeiro-Abril 2007). Uns aqui, outros no outro lado.
«Ralph Fox, Portugal Now – Um espião comunista no Estado Novo, edições Tinta da China, Lisboa, 2006 (com prefácio de José Neves)
Este pequeno livro é uma raridade mesmo no seu país de origem. No último Outono tive de o procurar nos catálogos suplementares (isto é, por informatizar, logo semi-abandonados) de uma das maiores bibliotecas universitárias – e depósito legal – de Inglaterra para o encontrar. Até por este lado semi-clandestino, sete décadas após ter sido escrito (1936) e publicado (1937), o relato da viagem de Ralph Fox por Portugal é uma tradução digna de nota na actividade editorial portuguesa de 2006.
Pequeno na sua extensão (125 páginas bem espaçadas e ilustradas na edição portuguesa), o livro de Fox, na sua origem uma série de artigos para a Imprensa inglesa, não é particularmente interessante pelo que diz de Portugal. O subtítulo da edição portuguesa, jogando com o tom romanesco da escrita, refere-se ao autor como ‘espião comunista’, mas, a tê-lo sido, não o foi nesta viagem. O Portugal de Fox é Lisboa, com o salto da ordem até ao Estoril, comentando o lado mais visível da vida urbana e de classe média-alta local, à época bem cosmopolita com a proximidade da Guerra Civil em Espanha. O motivo directo da viagem foi, aliás, esse, o de visitar a retaguarda da Guerra Civil de Espanha e dar notícia daquilo a que Fox se refere como ‘a Nova Europa’, a Europa do Fascismo em ascensão. Isto dá ao tom do livro um certo travo dúplice, pois o contraponto entre esta nova Europa, combatida pelo autor, e a velha Europa, que em rigor Fox também não estima (a burguesa, demoliberal, mergulhada em crise desde a I Guerra Mundial), deixa na sombra o modelo comunista, ou mais exactamente soviético, pelo qual Ralph Fox se batia.
(...)»